INSS: empresário confessa fraude bilionária e faz delação que pode derrubar mais nomes
Colaboração é considerada a primeira no âmbito da investigação
O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro por envolvimento no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, confessou a existência das fraudes e firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. A colaboração, considerada a primeira no âmbito da Operação Sem Desconto, foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que deve analisar a validade jurídica do acordo.
Segundo as investigações, Camisotti comandava um esquema por meio de entidades como a Ambec, Unsbras e Cebap, que teriam sido usadas para aplicar descontos indevidos em benefícios de aposentados. Apenas no último ano, as organizações movimentaram cerca de R$ 580 milhões, valor que ultrapassa R$ 1 bilhão desde 2021. As diretorias dessas entidades, de acordo com a apuração, eram formadas por funcionários e familiares ligados ao grupo empresarial.
A expectativa da defesa é que, com a delação, o empresário, apontado como um dos principais líderes do esquema, consiga autorização para cumprir prisão domiciliar. Ele estava inicialmente detido em Guarulhos e foi transferido, em março, para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Outros investigados, como o lobista conhecido como “Careca do INSS”, além de ex-integrantes do instituto, também negociam acordos de colaboração.
O escândalo ganhou dimensão nacional após ser revelado em reportagens que apontaram um crescimento explosivo na arrecadação dessas entidades, chegando a bilhões de reais, ao mesmo tempo em que acumulavam milhares de processos por fraudes. As denúncias levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal e contribuíram para a deflagração da operação, que resultou, inclusive, na queda de autoridades ligadas ao sistema previdenciário.