Entidades de 1º delator da Farra do INSS faturaram mais de R$ 1 bilhão
Descontos indevidos eram aplicados sobre benefícios de aposentados
Apontado como um dos principais líderes do esquema bilionário de fraudes contra aposentados do INSS, o empresário Maurício Camisotti firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e confessou ter desviado recursos de aposentadorias. O caso, conhecido como “Farra do INSS”, ganhou novos desdobramentos com a colaboração, considerada a primeira no âmbito da Operação Sem Desconto.
O acordo, firmado após a prisão do empresário em setembro do ano passado, foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que será responsável por analisar e homologar a delação. A expectativa é que o conteúdo da colaboração possa ampliar o alcance das investigações e atingir outros envolvidos no esquema.
Segundo a Polícia Federal, Camisotti controlava entidades como Ambec, Cebap e Unsbras, que juntas faturaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021 com descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados. Apenas em 2024, essas organizações movimentaram cerca de R$ 580 milhões. Após a operação, todos os acordos que permitiam os descontos foram suspensos.
As investigações também apontam que familiares e funcionários ligados ao empresário ocupavam cargos estratégicos nas entidades, indicando o uso de estruturas para viabilizar as fraudes. Entre os nomes citados está uma ex-presidente de associação que, segundo a PF, tinha vínculos como funcionária de empresas do grupo. Com a delação, outros investigados, incluindo lobistas e ex-integrantes do INSS, também podem ser pressionados a colaborar, ampliando o escândalo que já abalou o sistema previdenciário brasileiro.