Produtores de cana vivem colapso em Alagoas e cobram reação urgente do Governo de Alagoas
O setor atribui a crise à redução das chuvas, dificuldades nos tratos culturais e à forte desvalorização do açúcar nos mercados nacional e internacional.
O setor sucroenergético de Alagoas vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos e produtores de cana-de-açúcar cobram uma resposta urgente do Governo do Estado diante da crise que já acumula prejuízos superiores a R$ 330 milhões. Dados do boletim quinzenal nº 9 do Sindaçúcar-AL apontam que os fornecedores independentes registraram queda de mais de 15% no volume de cana entregue durante a safra 2025/2026.
Segundo o levantamento, até o dia 15 de janeiro, as 15 usinas em operação no estado produziram 12,7 milhões de toneladas de cana, uma redução de 5,77% em relação ao mesmo período da safra anterior. Já os fornecedores independentes foram os mais afetados, com queda de 6,1 milhões para 5,1 milhões de toneladas processadas. O setor atribui a crise à redução das chuvas, dificuldades nos tratos culturais e à forte desvalorização do açúcar nos mercados nacional e internacional.
O cenário econômico agravou ainda mais a situação no campo. Dados do Cepea/Esalq mostram que o saco de açúcar cristal vendido pela indústria em Alagoas atingiu, em dezembro de 2025, o menor valor desde junho de 2021. Em comparação com dezembro de 2024, a queda no preço chegou a 23,1% em reais. Como a remuneração da cana depende diretamente do valor do açúcar e do etanol, produtores afirmam que a redução dos preços impactou toda a cadeia produtiva.
Em meio ao colapso do setor, fornecedores de cana criticam o que classificam como “inação” do Governo de Alagoas. Enquanto estados vizinhos, como Pernambuco, articulam aportes milionários para socorrer produtores com previsão de R$ 72 milhões em apoio ao setor, em Alagoas a cobrança é de que o poder público “cruza os braços” diante da crise que ameaça empregos, renda e a economia de dezenas de municípios dependentes da cana-de-açúcar.