Alagoas amarga pior índice de educação do Brasil: 12 anos de governo calherista, o que mudou?
Já o índice relacionado à renda ficou em 0,691, mostrando que boa parte da população ainda enfrenta dificuldades econômicas.
Os dados mais recentes do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) colocaram Alagoas em alerta, principalmente na área da educação. O estado registrou IDHM geral de 0,746, enquanto o índice da Educação ficou em 0,729, o pior do Brasil, segundo o levantamento divulgado.
Apesar do baixo desempenho educacional, Alagoas apresentou avanço na longevidade, alcançando IDHM de 0,823, considerado muito alto. Já o índice relacionado à renda ficou em 0,691, mostrando que boa parte da população ainda enfrenta dificuldades econômicas.
Os números revelam um contraste: enquanto a expectativa de vida da população aumentou, a educação continua sem conseguir acompanhar o mesmo ritmo de evolução. Especialistas apontam que o cenário preocupa porque afeta diretamente as oportunidades das futuras gerações.
Outro ponto destacado é que o mesmo grupo político está à frente do Governo de Alagoas há 12 anos, período equivalente ao tempo que um estudante leva para concluir toda a educação básica, do ensino fundamental ao ensino médio. Para críticos da gestão, o tempo seria suficiente para mudanças mais profundas nos indicadores educacionais do estado.
Entre os problemas apontados estão a evasão escolar no ensino médio, dificuldades na alfabetização e a falta de investimentos contínuos na valorização de professores e alunos. O resultado do IDHM reforça o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais efetivas para melhorar a educação em Alagoas.
NOTA
A Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) esclarece que a matéria publicada, nessa quinta-feira (28), sobre os dados do Radar IDHM 2024, apresenta interpretação distorcida e descontextualizada do estudo elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com o Ipea e o IBGE.
A matéria utiliza dados que refletem o atraso histórico acumulado ao longo de décadas para tentar associá-los ao cenário atual, mas omite, de forma deliberada, justamente a principal conclusão do relatório: Alagoas registrou o maior crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país durante a série histórica iniciada em 2012. E, pela primeira vez em sua história, deixou para trás a faixa de "Médio Desenvolvimento" e transpôs a barreira do “Alto Desenvolvimento Humano”.
De acordo com os dados oficiais do Radar IDHM 2024, entre 2021 e 2024, o IDHM de Alagoas saltou de 0,691 para 0,746, avanço expressivo de 7,96%, que colocou o estado entre os maiores destaques nacionais em evolução social. No componente Educação, Alagoas atingiu índice de 0,729, ingressando também no patamar de Alto Desenvolvimento, uma mudança histórica no desenvolvimento social e educacional do estado, incompatível com a narrativa apresentada pela publicação.
O relatório do PNUD destaca avanços no fluxo escolar, no aumento da escolaridade da população e na redução das desigualdades educacionais, especialmente entre a população negra. Esses resultados são consequência direta de políticas públicas estruturantes implementadas ao longo dos últimos anos, entre elas o Cartão Escola 10, reconhecido nacionalmente como instrumento de combate à evasão escolar no Ensino Médio.
Somam também nesse saldo positivo a ampliação da rede de ensino integral e o programa Escola do Coração, que iniciou a construção de 57 novas escolas estaduais, das quais 30 já foram entregues.
O debate público exige responsabilidade com a informação e respeito aos dados oficiais, especialmente quando se trata de indicadores que impactam diretamente a percepção da população sobre os avanços do estado.