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Alagoas
Afundamento do Solo

Braskem sabia desde os anos 1980 sobre risco de afundamento em Maceió, aponta denúncia do MPF baseada em investigação da PF

Arthur Vieira

Documentos reunidos pela Polícia Federal e incorporados à denúncia do Ministério Público Federal (MPF) indicam que a Salgema, posteriormente incorporada pela Braskem, tinha conhecimento, desde pelo menos 1988, dos riscos de subsidência (afundamento do solo) associados à exploração de sal-gema em Maceió. As informações foram reveladas pelo portal UOL, em reportagem publicada nesta quinta-feira (18), assinada pelo jornalista alagoano Carlos Madeiro.

A denúncia, apresentada pelo MPF em outubro de 2025 e aceita pela Justiça Federal de Alagoas em junho deste ano, sustenta que a empresa e ex-dirigentes teriam ignorado ou omitido alertas técnicos sobre os impactos da mineração em uma extensa área urbana da capital alagoana. O processo faz parte da Operação Lágrimas de Sal, conduzida pela Polícia Federal.

Segundo os autos, estudos produzidos ao longo das décadas de 1980 e 1990 apontavam a existência de instabilidades geológicas, risco de formação de áreas de afundamento e possibilidade de colapso de cavernas subterrâneas abertas pela atividade minerária. A investigação cita relatórios técnicos que recomendavam medidas de controle e monitoramento, além da interrupção de operações em poços considerados críticos.

O MPF afirma que, apesar dos sucessivos alertas, a atividade de mineração foi ampliada ao longo dos anos e que informações relevantes teriam sido omitidas em documentos apresentados a órgãos fiscalizadores e ambientais. Entre os fatos investigados estão supostas inconsistências em relatórios encaminhados ao então Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e ao Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA).

A denúncia também menciona trocas de mensagens e estudos internos que, segundo os investigadores, demonstrariam o conhecimento prévio da empresa sobre a evolução do fenômeno geológico. Para o MPF, a conduta teria impedido a adoção antecipada de medidas capazes de reduzir os impactos observados posteriormente.

O caso ganhou dimensão pública a partir de 2018, quando fissuras e rachaduras começaram a surgir em diversos bairros de Maceió. Desde então, cerca de 60 mil pessoas foram retiradas de suas casas em uma das maiores tragédias socioambientais urbanas do país.

A Justiça tornou réus 13 ex-dirigentes, técnicos e profissionais ligados ao caso, além da própria Braskem, que poderá responder na esfera penal e administrativa. Parte das acusações foi rejeitada por prescrição.

Procurada pelo UOL para comentar a denúncia do MPF, a Braskem informou que não se manifestaria sobre o processo.

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